Música

A poesia se foi
Um dia, atravessou a rua
ficou indecisa um instante
Direita? Esquerda? Retorno?
Escolheu e seguiu adiante,
nem um aceno por cima do ombro.
Dobrou a esquina
e não foi mais vista.

A escolha da arte
Ten Years Gone, Led Zeppelin

Aqui se fala da poesia, mas nós também podemos tomar nossas licenças poéticas, não? É bom que se aperte o play e comece a ler, porque aí a palavra acaba na tela e continua na voz do Robert Plant e nesses riffs do Page que nos deixam catatônicos.

Ten Years Gone é uma canção de um Led Zeppelin já famoso e vagando pela estrada. Ia dizer “de um dos melhores discos”, mas não tem melhor disco do Led.

Ela fala de um lindo amor que Plant vivia antes da banda estourar, e por obra das circunstâncias deixou para trás, para chegar até nós. Ele mostra como as mudanças causaram essa distância, e quando fala da música hoje em dia diz que “nunca mais a viu”.

Contudo, há lembrança. A marca que tudo deixa no nosso caminho particular fica lá, intacto. E por si só desencadeia mudanças também.

A poesia pode nos deixar quantas vezes ela quiser, e ela vai fazer isso. Porque é livre. Mas a firmeza é densidade, e não permite que a gente deixe de lado o que já nos fez bem, a palavra, o afago e o afeto. Que tenha sido em um centésimo de momento. Será, hoje. Será, daqui dez anos. [Daniela Ribeiro]

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