Maria Bonomi

menina

Perdi teu olhar
pelo caminho,
ganhei saudade…

Perdi teu abraço
no fim da linha,
ganhei solidão…

Perdi teus lábios
já nem sei onde,
ganhei tristeza…

Perdi teu amor,
ganhei poesia…

A escolha da imagem

Maria Bonomi, Menina, 1946

Dessa vez a Gi escolheu a obra para o poema. Passei para ela o site de Maria Bonomi [www.mariabonomi.com.br] e ela encontrou essa pintura de 1946. Se a data está correta, a artista tinha apenas 11 anos quando a fez. Nascida na Itália, de mãe brasileira, deixou o seu país natal nos primeiros anos da 2ª Guerra Mundial e foi morar com o avô, o já afamado Giuseppe Martinelli, no Rio de Janeiro. Com a morte do avô em 1946, Maria se instala em São Paulo. A artista, como ela mesma diz, sempre teve obessão do desenho, uma maneira de lidar com o problema de surdez que a acompanhava quando criança. Com talento precoce, em 1950 ela é levada ao atelier do expressionista Lasar Segall. Este a encaminha para a pintora Yolanda Mohalyi com quem começa a desenvolver suas técnicas de pintura. Hoje Bonomi é um dos nomes mais expressivos da gravura brasileira.

Mas voltando à obra, essa menina triste retrata uma precoce poetiza que pode perder tudo, mas da experiência sempre ganhará a poesia. Para não esquecer da inspiração e não se deixar perder na imaginação do olhar ao longe dos poetas, o fiel companheiro, o caderno, registro da memória, da criação. O quadro tem traços modernos, no fundo abstrato e nos traços inacabados. “Não sei explicar como, mas sem conhecer a pintura moderna, meus primeiros quadros tinham um parentesco com a escola impressionista”, conta a artista no livro Maria Bonomi: da gravura à arte pública. [Fernanda Souza]

A escolha da imagem 2

Quando a Fer me mostrou essa artista, logo me identifiquei com esse quadro. Eu fui uma menina como essa, com arroubos de melancolia, rabiscando versos nos meus cadernos, a cabeça enfiada em livros e romances imaginários. Logo o quadro me lembrou desse poema, simples mas cheio dessa melancolia, dessa tristeza profunda e mansa, que toma todo coração poema vez por outra. [Gisele Neuls]

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