Camille Claudel

Fraqueza

Traçou com a ponta dos dedos
a tênue linha
entre a razão e a insensatez

Arrepiou a pele
incendiou a razão
fez esquecer o tão sabido:
insensatez é coisa alucinógena

Foram poucos minutos no paraíso
e a queda vertiginosa.

A escolha da imagem

Camille Claudel, Dana, 1885

Não só a escultura de Camille Claudel retrata bem o poema como também a personalidade da artista. Essa mulher de talento incrível, discípula e amante de Rodin, deixou-se levar pela insensatez.

Seu talento pouco reconhecido à sombra do grande artista, precursor da escultura moderna, e a relação tumultuada com seu mestre levam Camille à solidão e à paranóia.

A escultura Dana, de formas sensuais, me faz pensar numa mulher abandonada por seu homem após o sexo. A dor do amor não correspondido na mesma instensidade, a solidão desse sentimento forte, correspondido somente no plano físico, carnal.

Rodin, que jamais irá deixar sua companheira Rose, leva Camille ao desespero e à raiva. Esse amor insensato é alucinógeno, como diz o poema, e vai guiar a artista por uma vida de sofrimento físico e moral. Esse pouco tempo no paraíso ao lado do seu mestre, a quem ela se igualou em talento participando de grandes obras como Portas do Inferno, foram a causa da queda dessa mulher. Sua fraqueza foi amar até o fim, mas suas obras são o legado de uma força e uma delicadeza incomuns. [F.S.]

Padrão