Nailia Schwarz

Mulheres Maravilha

Nailia Schwarz

Nós assoviamos e chupamos cana
enquanto escolhemos o caminho
no campo minado do cotidiano

Nós dançamos e equilibramos pratos
enquanto nos preocupamos e sorrimos
e, às vezes, quebramos alguns

Nós adoçamos essa vida dura
com um pouco de poesia e arte
mas, às vezes, elas nos escapam

A escolha da imagem

A escolha da imagem foi obra do acaso. Vi um site de fotografia recomendado por um amigo no facebook, fui espiar, ao mesmo tempo conversávamos eu e a Fer sobre o fato de que precisamos de umas férias, e bati o olho nessa imagem. Ela é perfeita para esse momento em que nós duas estamos atribuladas com novo trabalho, mudanças, viagens, e quando vemos, é sábado e não escolhemos a poesia e a arte para publicar. Esse site é um projeto para nos dar prazer e satisfação, não dor e obrigação. É nossa janela da alma, não um lugar onde batemos ponto. Então, se precisamos de férias, férias tiraremos. Provavelmente voltamos depois do carnaval.

O poema foi a inspiração da hora, nasceu agora há pouco mesmo, olhando pra essa imagem e conversando sobre nosso cotidiano. Afinal, a Fer e eu somos mulheres maravilha ao nosso jeito. A obra é de uma fotógrafa alemã cuja biografia não encontrei, mas, para quem arriscar um alemão ou um google translate, o site oficial dela, com outras fotos muito legais, está aqui. [Gisele Neuls]

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Oswaldo Goeldi

Navegante

goeldi_mar

Oceanos me habitam
Calmarias e tempestades
assolam essas tantas ilhas
que, do horizonte, me acenam
Para viver, atraco no cotidiano
Mas sou navegante
Há mistério nas águas

A escolha da imagem

Perigos do mar, circa 1955, assinada, xilogravura a cores, 5/7, Coleção Fundação Biblioteca Nacional

As xilogravuras coloridas de Goeldi mais uma vez inspiram e se casam com poemas escritos pela Gisele. A imagem não só mostra esse oceano de tempestades enfrentado por navegantes, mas o cotidiano desses pescadores, que se atracam em águas ora calmas, ora turbulentas no dia-a-dia da profissão, para viver, para ganhar o pão, ganhar o peixe. E os mistérios das águas, bem representadas pelo artista por um verde turvo, são ignorados por aqueles que navegam. Mas nós, espectadores podemos ver uma espécie de tubarão que está submerso. Mas aquele que é navegante e que carrega esses oceanos volúveis não conhece, muitas vezes, os mistérios que habitam dentro de si.

Essa gravura foi feita nos anos 50,  época de reconhecimento para Goeldi. O artista brasileiro expõem em diversos países nessa década. Em 51 seu esforço como pioneiro na xilogravura colorida é reconhecido com um prêmio na I Bienal Internacional do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1953 ele tem uma sala destinada a suas obras na II Bienal de São Paulo. Nos anos seguintes ele passa a trabalhar com formatos maiores e madeiras tropicais, mais resistentes e duras, como a peroba-rosa. Suas gravuras atingem um alto grau técnico e com grandes contrastes de impressão. [Fernanda Souza]

Saiba mais sobre o artista através de outra obra de Goeldi publicada nesse blog

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