Súcubus

Cravo, canela e pimenta
absinto, sândalo e jasmim
intoxicante e irresistível

Eu me alimento do teu desejo
cruzo as pernas com malícia
mordo a caneta, molho os lábios
te olho por baixo dos cílios

E você vem para mim
ansioso e hesitante
algumas vezes suave
quase sempre urgente

Com a ponta dos meus dedos
desenho teus lábios
passeio por teu rosto
te beijo, mordo
suspiro

E acordo sozinha
saciada e vazia

A escolha da imagem

Henri Matisse, L’odalisque à la culotte rouge (1921)

O olhar dessa “Odalisca com calça vermelha” do fovista Matisse é a ilustração dos últimos versos do poema: o olhar de quem acorda de um sonho. Um sonho em que foi saciada, como o descrito no poema. Mas ao despertar para a realidade, os olhos se rendem, distantes, ao vazio. Odaliscas serviram de inspiração para vários pintores como Ingres e Delacroix. Era a fase orientalista, inspirada pelas viagens ao Cairo. Matisse não se interessa pelo pitoresco, mas os elementos decorativos orientais encontram-se em seu traço e suas cores. Ele faz uma série de odaliscas inconfundíveis na fase em que morou em Nice, no Sul da França. Essas cores de Matisse, esses vermelhos quentes, me remetem a essa mistura dos primeiros versos – cravo, canela e pimenta – e me levam a essa atmosfera desconhecida de um Oriente distante, a essas mulheres que fazem parte de haréns, a um mundo misterioso em que as artes nos fazem penetrar. [F.S.]

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