Espelhos

Estou perdida dentro de mim
como em uma sala de espelhos.
Qual das imagens refletidas
conterá a minha essência?

Busco a mim nos
recantos do pensamento
e tudo que encontro
é poeira e fantasmas.
Onde fui parar?

Capturo um rastro numa esquina
mas me perco quando chego lá.
Onde andará minha sombra
Nesta infinda noite escura?

Em que galáxia foram parar as estrelas
que guiavam meus passos antes?
O que aconteceu com o sol brilhante
que amainava o inverno no rosto?

Por que caminhos terá se perdido
minha lucidez, eu não sei.
Apenas sinto esse outono sombrio
soprando desespero no meu coração.

Estou perdida dentro de mim
como em uma sala de espelhos.
Quanto mais observo os reflexos,
mais me perco de mim.

A escolha da imagem

Jeune fille devant un miroir (Moça diante do espelho), Pablo Picasso, 1932

Obra da fase surrealista de Picasso, a moça diante do espelho é Marie-Thérèse Walter, uma das musas inspiradoras do artista que ele conheceu quando ela ainda era menor de idade. A imagem e o traço inconfundível do mestre espanhol falam por si só. Olhar a si mesmo no espelho é se enfrentar e mais que projetar nossa aparência física, encaramos a nós mesmos com toda a nossa complexa e inversa imagem interna. O espelho não reflete o que somos, reflete como nós nos vemos. É mais que uma imagem concreta, a virtualidade do espelho mostra através de traços figurativos nossa abstração interna. E não há como saber o quanto disso tudo reflete no olhar dos outros, espelho de nossa existência. [F.S.]

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: