Solidão Tropical

esse exílio auto-imposto
algumas vezes parece um passo em falso
um tatear na escuridão ruidosa

algumas vezes – apenas algumas vezes!
percebo que não há reis em minha Pasárgada
e a cama que escolhi é muito larga
para acomodar meus pensamentos

algumas vezes – apenas algumas vezes!
essas horas tropicais custam muito a passar
e a despeito do curto tempo que a sensação dura
me sinto demasiado infeliz,
demasiado ordinária

como um navio
irremediavelmente avariado
atracado em um porto distante


A escolha da imagem

The Soothsayer’s Recompense1913,
Giorgio de Chirico, Philadelphia Museum of Art

As pinturas metafísicas de Chirico me reportam sempre um ar de solitude. Paisagens vazias, duras, cheias de sombras e de escuridão. Nós vemos essa escultura pensante na imagem, em sua cama em meio ao nada, como alguém que está engessado em sua realidade, preso em seus pensamentos, preso nesse lugar árido, no concreto frio do exílio. As horas marcadas num relógio de uma estação que não é nem de partida nem de chegada e os magros coqueiros no horizonte, que nos remetem a esse lugar tropical, mas que é visto com um ar de tristeza para quem está exilado. E o navio com sua fumaça anuncia a partida, mas ele está irremediavelmente preso nesse instante momento de infelicidade. [Fernanda Souza]

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Um comentário em “Solidão Tropical”

  1. Adorei, querida Gisele!
    Apenas sinto que minha cama é por demais estreita para acomodar meus pensamentos….rs


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